Alosa alosa

– peixe migrador diádromo

– mancha negra após o opérculo

– presente em todas as bacias hidrográficas da Península Ibérica

A espécie desta semana é o sável, Alosa alosa. Parabéns aos que acertaram! O sável é um peixe autóctone de grandes dimensões, podendo atingir os 70 cm de comprimento (fêmeas normalmente maiores que os machos), pesar cerca de 4,5 Kg e viver até aos 8 anos de idade. Tem uma mancha negra após o opérculo (abertura das guelras) muito característico, podendo ter manchas adicionais que geralmente são menos evidentes.

É da mesma família que a savelha, sendo de facto muito parecidos morfologicamente e também ecologicamente: são ambos migradores diádromos (o seu ciclo de vida compreende tanto o mar como o rio), mas mais especificamente anádromos – vive no meio marinho e reproduz-se em água doce. Podem percorrer mais de 700 km para desovar, sendo que em Portugal a entrada desta espécie nos rios decorre entre Março e Maio. Os adultos, que entretanto param de se alimentar durante a migração reprodutora, morrem na sua maioria após a reprodução apesar da tentativa de regressar ao mar. As larvas de sável permanecem 4 a 5 meses em água doce, chegando aos estuários entre Agosto e Outubro. Existem ainda algumas populações de sável que se adaptaram completamente à vida em água doce após terem ficado retidas em rios pela construção de barragens.

Tal como muitas das espécies de peixes migradores que ocorrem em Portugal, a área de distribuição do sável diminuiu drasticamente no último século devido à poluição das águas, à construção de obstáculos físicos (barragens, açudes) e à extração de areias dos cursos de água. Apesar de já ter sido uma espécie de impacto económico significativo, em Portugal é classificada “em perigo” pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, sendo ainda classificado como vulnerável na maior parte da sua área de distribuição. Se antes da construção de barragens o sável podia percorrer mais de 700 km para se reproduzir, longe do local de reprodução da savelha mais a jusante, hoje observa-se uma contração das zonas de reprodução do sável para áreas mais próximas dos estuários. Esta sobreposição das áreas de reprodução do sável e da savelha pensa-se estar na origem da maior ocorrência de híbridos entre estas duas espécies (que são geralmente estéreis).

Nesta época da lampreia e do sável, ao mantermos a nossa cultura gastronómica devemos também fazer por proteger esta espécie – consumir, mas sempre com moderação e de forma sustentável! De resto já sabem, para além de proteger o sável protejam-se também, e sigam a FAPAS!

Como curiosidade, uma notícia do Jornal de Notícias, que conta uma história que envolve esta espécie: “O dia em que o Porto viu um milagre

Foto: arquivo JN. Mais fotos na notícia.

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