Bombus terrestris

– um dos maiores insectos voadores sociais

– apenas as fêmeas apresentam corbícula (ou cesto do pólen)

– duas faixas amarelas (uma no tórax e outra no abdómen) + extremidade abdómen esbranquiçada

Todos lhe chamam a pequena abelha…. Bombus terrestris! E é dela que vamos falar aqui.

O grupo das abelhas é composto por muitas famílias, e a Apidae, onde se incluem as abelhas do mel (Apis mellifera), as abelhas carpinteiras (Xylocopa spp.), e os nossos abelhões (Bombus spp.), é uma das famílias mais numerosa, com 24 géneros e 86 espécies.

Também conhecida como abelhãoBombus terrestris voa sem parar, e podemos distingui-lo do abelhão-grande-do-jardim (Bombus ruderatus, também muito comum em Portugal) por ter duas faixas amarelas, enquanto que o B. ruderatus tem três (uma no tórax e duas no abdómen). Consegue voar largas distâncias para procurar as melhores flores e são das abelhas mais resistentes a temperaturas baixas (e por isso também as primeiras a emergir). São das maiores abelhas presentes em Portugal e a rainha normalmente ultrapassa os 2 cm de comprimento (podendo chegar quase aos 3 cm), enquanto as obreiras e machos são mais pequenos e medem apenas cerca de 1,5 cm. As Bombus terrestris são importantes polinizadoras não só pela sua capacidade de viajar largas distâncias, cruzando assim plantas que se encontram longe (e contribuindo para a diversidade genética das espécies vegetais), mas também por conseguirem suportar temperaturas mais baixas que outras abelhas também comuns em Portugal e por serem generalistas, e visitarem vários tipos de flores e espécies vegetais.

Alguns géneros de abelhas, como Apis e Bombus, desenvolveram um sistema social muito complexo com rainhas (que se ocupam maioritariamente de pôr ovos), obreiras (fêmeas não reprodutoras cuja função é manter a colmeia e alimentar os ovos) e os machos (ou zangões) cuja única função é fecundar a rainha. No início da primavera, as rainhas B. terrestris são as primeiras a emergir da hibernação e procuram um local para pôr os ovos (em buracos no chão ou dentro de árvores). É aí que começam então a recolher pólen e nectar que armazenam nos seus sacos de pólen (ou corbículas) para alimentar a primeira geração de obreiras e zangões. Apenas as fêmeas (rainhas e obreiras) apresentam corbículas (ou cestos do pólen) onde conseguem armazenar grandes quantidades de pólen (em média 25% do seu peso, mas pode até chegar até 75%). Assim que os ovos eclodem, a rainha permanece na colmeia onde a sua função passa a ser apenas pôr ovos, e as obreiras embarcam nas suas funções de recolha de alimento (néctar e pólen) e de protecção e defesa da colónia (com o seu ferrão e veneno que podem injectar em possíveis predadores). Por sua vez, os zangões ficam na colónia fecundando a rainha e alimentando-se do pólen que as obreiras armazenam, apenas saindo quando as obreiras morrem e deixam de os alimentar.

Por que têm diferentes períodos de forrageamento, rainha, obreiras e zangões podem ser vistos em diferentes alturas do ano. No final do Inverno/início da Primavera as rainhas emergem do seu local de hibernação. As obreiras começam a surgir em meados da Primavera, e até ao final do Verão (quando morrem) apenas vamos ver obreiras pairando sobre flores. Assim que morrem, deixam de alimentar os zangões e por isso no final do Verão quase todos os abelhões que estão a forragear flores são machos. Nesta altura podemos também encontrar (apesar de em muito menor número) as jovens rainhas que se estão a preparar para procurar abrigo e passar o Inverno em hibernação.

Apesar do Bombus terrestris se encontrar por toda a Europa, diferentes subespécies adaptaram-se aos diferentes climas: em Portugal encontramos a Bombus terrestris lusitanicus, que faz colónias maiores que as restantes e se adaptou ao clima temperado da Península Ibérica. No entanto tem-se registado em Portugal vários indivíduos de outras subespécies (não adaptadas ao nosso clima, mas usadas em colmeias comerciais). Estas Bombus introduzidas hibridam com as Bombus locais originando indivíduos mal adaptados ao clima temperado da Península, e transmitindo-lhes parasitas para as quais as Bombus locais não são resistentes. Infelizmente em Portugal não existe ainda regulamentação no sentido de proibir utilização de abelhões não autóctones, por isso pede-se especial cuidado a quem tem colmeias comerciais para fazer uma eliminação e selagem correcta de caixas de colmeias que já não estão a ser utilizadas, para evitar o escape de abelhões para a Natureza.

Esta abelha era a nossa amiga Bombus terrestris lusitanicus,

Fresca, bela, doce abelha B. terrestris lusitanicus.

Para a semana voltaremos com outra espécie para o Almanaque. Até lá, protejam-se, sigam a FAPAS e se nos vossos passeios encontrarem um abelhão (ou outra abelha) numa flor, partilhem connosco!

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