NÃO À CENTRAL SOLAR FOTOVOLTAICA SOPHIA

Comunicado
18/11/2025
A FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade alerta para os impactos ambientais e sociais associados à proposta da Central Solar Fotovoltaica Sophia, um megaprojeto que prevê a instalação de 867 MWp nos concelhos de Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor. Embora reconheça a importância da transição energética, a associação considera que os riscos socioambientais identificados são significativos e acarretam consequências irreversíveis para o território da Beira Baixa.
Parte da área prevista para a instalação do megaprojeto incide sobre zonas de elevado valor ecológico, como o Geoparque Naturtejo (UNESCO), a Reserva Ecológica Nacional e a Reserva Agrícola Nacional. O Estudo de Impacte Ambiental indica que o projeto implicará o abate de 1.541 árvores protegidas, incluindo sobreiros e azinheiras, espécies fundamentais nos montados da região, bem como a destruição de mais de um hectare de habitat prioritário 6310 (Montados de Quercus spp. de folha perene). Além disso, estão presentes espécies protegidas como o Abutre-preto, a Águia-imperial-ibérica e a Cegonha-preta, que poderão ser afetadas pela fragmentação de habitats, perturbação durante a construção e risco de colisão com as linhas de muito alta tensão. As medidas de mitigação propostas carecem de metas claras e mecanismos independentes de monitorização.
A FAPAS denuncia também a ausência de uma avaliação ambiental estratégica regional que considere os impactos cumulativos dos projetos solares e eólicos na zona, bem como a falta de fiscalização independente e da consulta prévia às associações ambientalistas, o que revela um grave défice de transparência. A participação pública também tem sido limitada, com críticas à consulta online, considerada insuficiente para um projeto desta dimensão.
Do ponto de vista socioeconómico e cultural, o projeto poderá transformar profundamente a paisagem, reconvertendo solos agrícolas e florestais num mar de painéis solares, com impactos na agricultura, nos serviços de ecossistema, no turismo e no património local.
A FAPAS sublinha que a transição energética não pode ocorrer a qualquer custo e exige a suspensão imediata do processo de licenciamento e a adoção de alternativas mais sustentáveis, como projetos solares distribuídos em áreas menos sensíveis (como telhados em zonas industriais e urbanas ou em infraestruturas como autoestradas), e a garantia de uma participação pública real e efetiva, com audições presenciais e envolvimento dos cidadãos desde as fases iniciais. Reivindica ainda a proteção integral dos montados de sobreiro e azinho, dos habitats prioritários e das espécies vulneráveis.
A associação reforça que não se opõe à energia solar, mas alerta que este megaprojeto ameaça transformar um território vivo, rico em biodiversidade e cultura, numa vasta mancha de silício exógeno, com danos irreversíveis para o património natural e social da região.
Por tudo isto a FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade manifesta a sua oposição total à construção da Central Solar Fotovoltaica Sophia, esperando que o bom-senso prevaleça.
A Direção da
FAPAS- Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade
INFORMAÇÕES:
Jorge Moreira
fapas@fapas.pt
